quarta-feira, 24 de agosto de 2011

o nosso tempo.

Muitas vezes erramos por não esperar o tempo certo das pessoas.
Cada pessoa tem seus limites e estes devem ser respeitados.
O problema é que se não atendem à porta quando batemos, optamos em pular o muro.
Eu queria que você também fosse capaz de contar comigo, os grãos de areia do tempo que o vento leva...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Manual de Instrução


Não suponha algo que nunca viveu.
Não imagine coisas que seus olhos não querem ver.
Não jogue mais do que possa apostar.
Não compre mais do que possa pagar.
Não cumprimente se estiver de máscara.
É fácil fingir se parecer com tudo, difícil mesmo é ser tudo sem fingir.
Não faça coisas sem ler o manual de instruções.
Tudo o que você precisa é de um motivo;
um motivo basta pra você saber o que você é.
Espero que não seja a vida quem lhe dê motivos,
pois ela é muito rude as vezes com quem não a conhece.
Espero que ache seu reflexo em qualquer espelho que não seja o meu.
Em alguma fonte de água pura e cristalina que não seja a minha fonte Sonhadora.
As pessoas nos vêem; pensam e juram coisas alheias
como se fossem as mais fiéis do mundo, mas não se apaixone
pelo perfume delas. Faça você o seu.

sábado, 6 de agosto de 2011

dois de espadas.

"Não muito longe da fronteira da Suíça encontramos uma placa com a indicação de Dorf. Viramos numa pequena estrada, que conduzia suavemente montanha acima. Era uma região deserta; lá em cima, perto dos picos, só havia algumas poucas casas de madeira espalhadas entre as árvores.
Logo escureceu, e já estava quase pegando no sono quando despertei ao ouvir meu pai dizer:
 - Pausa para um cigarrinho.
Descemos do carro e respiramos o ar puro dos Alpes. Era noite. Lá no alto, o céu estrelado parecia um cobertor elétrico com milhares de pequenas lâmpadas, cada uma com um milésimo de watt. Meu pai foi fazer xixi no acostamento. Quando voltou, acendeu um cigarro, apontou para o céu e disse:
 - Somos uns caras danados mesmo, meu filho. Veja você... não passamos de figurinhas de Lego tentando ir de Arendal até Atenas num pequeno Fiat! Que coisa, hein? E dentro de um grãozinho de ervilha! Sim, porque lá fora, quer dizer, fora dessa vagem em que vivemos no nosso grão de ervilha, Hans-Thomas, existem muitos bilhões de galáxias. Cada uma delas possui algumas centenas de bilhões de estrelas. E só Deus sabe quantos planetas existem! – Bateu a cinza do carro e continuou: - Não acredito que estejamos sozinhos, meu filho. Não acredito mesmo. O universo está fervilhante de vida. Só que nunca saberemos se estamos ou não sozinhos. As galáxias são como ilhas solitárias, sem qualquer ligação entre si.
É verdade que se podia criticar muita coisa no meu pai, mas nunca achei chato conversar com ele. Ele é o tipo de pessoa que nunca iria se contentar com uma vida de mecânico. Se dependesse de mim, ele teria direito a um salário do governo como filósofo. Certa vez ele mesmo disse algo nesse sentido: “Temos ministérios para tudo, mas não para a filosofia. E até os países grandes acham que podem dar contas de suas tarefas sem elas”.
Com o peso daquela herança que eu tinha sobre os ombros, tentava participar das conversas filosóficas que meu pai sempre começava quando não estava falando de mamãe. Naquele momento, eu disse:
 - O fato de o universo ser tão vasto não significa necessariamente que a nossa Terra seja um grão de ervilha.
Meu pai sacudiu os ombros e acendeu outro cigarro. No fundo não estava particularmente interessado na opinião dos outros quando falava sobre a vida e sobre os astros. Nesse ponto era um homem seguro demais quanto à sua própria opinião. Em vez de comentar minha afirmação, disse:
 - Com mil diabos, Hans-Thomas, de onde vêm as pessoas como nós? Você já pensou a respeito disso?
É claro que já tinha pensado muitas vezes; mas como sabia que minha resposta não adiantar muita coisa, deixei que ele continuasse falando. Nós nos conhecíamos fazia tanto tempo, meu pai e eu, que eu sabia que aquilo era o melhor.
 - Você sabe o que a sua avó me disse um dia? Ela disse ter lido na Bíblia que Deus está lá no céu e ri das pessoas que não acreditam nele.
 - E por quê? – perguntei. Perguntar era sempre mais fácil do que responder.
 - Muito bem... – começou meu pai. – Se há um Deus, que nos criou, então de certa forma somos “artificiais” aos seus olhos. Falamos besteiras, discutimos e brigamos entre nós. Depois nos separamos e morremos, compreende? Somos superinteligentes: sabemos contruir bombas atômicas e foguetes para ir à Lua. Mas nenhum de nós se pergunta de onde veio. A gente simplesmente se contenta em estar por aqui, dividindo com os outros este espaço.
 - E é nessa hora que Deus ri de nós?
 - Exatamente. Se nós fôssemos capazes de criar um ser artificial, Hans-Thomas, nós também iríamos rachar o bico de rir se esse ser artificial saísse por aí falando um monte de bobagens sobre os índices da bolsa de valores ou sobre corridas de cavalos, por exemplo, sem se perguntar a coisa mais simples e mais importante de todas: “De onde é que eu vim?”.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

oito de ouros

(Estes são fragmentos retirados do livro “O dia do Curinga” de Jostein Gaarder. Situado nas páginas 266 a 271.)

“- Na praia, uma criança constrói um castelo de areia. Por um momento, contempla admirada a sua obra. Depois destrói tudo e constrói outro castelo. Da mesma forma, o tempo permite que o globo terrestre realize seus experimentos. Aqui nesta praça (Agora, na Grécia) se escreveu a história do mundo; aqui os acontecimentos foram gravados na memória das pessoas, e depois novamente apagados. Na Terra, a vida pulsa de forma desordenada, até que um belo dia nós somos modelados... com o mesmo e frágil material dos nossos antepassados. O sopro do tempo nos perpassa, nos carrega e se incorpora em nós. Depois se desprende de nós e nos deixa cair. Somos arrebatados como num passe de mágica e depois novamente abandonados. Sempre há alguma coisa fermentando, à espera de tomar nosso lugar. Isso porque não temos um solo firme sob nossos pés. Não temos sequer areia sob os pés. Nós somos areia.”
“- Não há lugar onde possamos nos esconder para escapar do tempo. Podemos escapar de reis e imperadores, e talvez até de Deus. Mas não podemos escapar do tempo. O tempo nos enxerga em toda parte, pois tudo à nossa volta esta mergulhado nesse elemento infatigável.”
“- O tempo não passa, e não é um relógio. Nós passamos e são os nossos relógios que faz tique-taque. O tempo vai devorando tudo através da história, silenciosa e inexoravelmente, como o sol se levanta no Leste e se põe no Oeste. Ele destrói civilizações, corrói antigos monumentos e engole gerações atrás de gerações. Por isso é que falamos dos “dentes da engrenagem do tempo”: o tempo mastiga, mastiga... e somos nós que estamos no meio de seus dentes.”
“- Por um breve espaço de tempo fazemos parte da extraordinária agitação deste mundo. Andamos pela Terra como se isso fosse a coisa mais evidente do mundo. Você viu como as pessoas se agitam feitam formigas lá na Acrópole? Mas toda aquela agitação vai desaparecer. Vai desaparecer e ser substituída por outra, pois sempre há outras pessoas prontas, à espera. Sempre surgem novas idéias. Nenhum tema se repete, nenhuma composição é escrita duas vezes... Nada é tão complicado e tão precioso quanto um ser humano. Apesar disso, somos tratados com futilidades baratas.”
“- Vagamos por esse mundo como personagens de uma aventura maravilhosa. Cumprimentamo-nos e sorrimos uns para os outros como se quiséssemos dizer: “Oi, aqui estamos nós vivendo juntos nesse momento! Dentro da mesma realidade... ou da mesma história”. Vivemos num planeta do universo. Mas logo seremos varridos do tabuleiro. Abracadabra e... pronto! Desaparecemos.”
“- Podemos dizer, de braços abertos, que existimos. Mas logo somos colocados de lado e enfiados no saco das trevas da história. Pois somos criaturas sem retorno. Somos parte de um eterno baile de máscaras, em que os mascarados vêm e se vão. Só acho que merecíamos coisa melhor, Hans-Thomas. Você e eu merecíamos ter nossos nomes gravados em alguma coisa eterna, que não fosse apagada como o mar que destrói o castelo de areia.”
 “- Você acredita que haja alguma coisa que não possa ser levada como a areia do castelo que a água do mar destrói?”
“ - Aqui – disse ele, e apontou para sua cabeça. – Aqui dentro tem alguma coisa que não pode ser levada. O pensamento não pode ser levado, Hans-Thomas. Os filósofos em Atenas achavam que também há uma coisa que não passa. Platão chamava isso de o mundo das idéias. Pois não é o castelo de areia a coisa mais importante na brincadeira da criança. O mais importante é a imagem de um castelo de areia que a criança tem na cabeça antes de começar a construir o castelo. Por que outra razão você acha que ela destrói com as mãos o castelo que acabou de construir?”
“- Nunca aconteceu com você de querer desenhar ou construir alguma coisa e não conseguir fazer isso direito? Você tenta mais de uma vez, tenta outras vezes, mas nunca dá certo. Isso se explica pelo fato de que a imagem que você tem do que quer fazer sempre é incomparavelmente superior às copias a que você tenta dar forma com as mãos. E o mesmo ocorre com tudo o que vemos à nossa volta. Trazemos dentro de nós a noção de que tudo o que vemos à nossa volta poderia ser melhor do que é. E sabe por que fazemos isso, Hans-Thomas? Porque trazemos em nós todas as imagens do mundo das idéias. É lá a nossa verdadeira morada, entende? E não aqui embaixo, no meio da areia, onde o tempo apanha e devora tudo o que amamos. Pelo menos era o que achava Platão, um dos maiores filósofos gregos. Nossos corpos têm o mesmo destino dos castelos de areia. Quanto a isso não há o que fazer. Mas temos uma coisa em nós que o tempo não consegue corroer. E não consegue porque ela não pertence a este mundo. Precisamos voltar nossos olhos para além e para cima do que vemos à nossa volta. Precisamos enxergar aquilo de que tudo à nossa volta é apenas uma imitação.” 

sábado, 2 de julho de 2011

Pronto para correr sozinho?

Existem determinadas coisas que eu ainda preciso reforçar no meu conceito. Simples detalhes que apesar de já ter passado diversos momentos em que, eu sabia que não adiantaria nada apostar a minha fé no impossível, sendo que impossíveis - não sei porque - não se realizam comigo. 
A gente cresce ao lado de alguém que nos ensina sobre o básico da vida. Crescemos e nos desenvolvemos baseados nesse rascunho que obtivemos. Aprendemos a andar com nossos pés, falar nossas próprias palavras e criar nosso vocabulário. Comemos com nossas próprias mãos, cantamos o que queremos cantar, fazemos e guardamos o que nossa mente quer guardar e fazer. Observamos com os nossos próprios olhos e com os mesmos, choramos sozinhos. Com nossa boca contamos verdades e mentiras, erguemos castelos e barracos. 
É impossível viver as custas de alguém que não sabe nem pra onde seus pés a levam. É impossível contar com quem não enxerga pra onde anda, pois assim, seriam um cego guiando outro cego. É impossível querer a voz quando todas só dizem mentiras. É impossível querer companhia quando todos correm por si só. Simplesmente sozinhos.
Preciso aprender isso: que apesar de juntos, todos estamos separados. Cada um traça o seu caminho e seus sonhos, e faz valer tudo para que estes se realizem de acordo com o planejado. E se ainda não tenho meu caminho, eu o farei, afinal, eu corro sozinha nessa corrida.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

if...

Se tudo ao seu redor desanda, segure-se.
Se o tempo fecha e nuvens densas pairam sobre a sua cabeça, proteja-se.
Se tiver uma sombra, uma árvore e um imenso céu azul, deite-se.
Se tocar uma música, balance.
Se levar uma pancada mais forte do que possa suportar, apegue-se.
Se os ventos te balançarem para todas as direções, equilibre-se.
Se for momentos inesquecíveis, fotografe.
Se algo que você tanto deseja não chega na hora marcada, espere.
Se tudo te for negado, revele-se.
Se tiver um filme, pipoca e um telefone pra ligar para os amigos, festeje.
Se nada corre pelo caminho certo, organize-se.
Se ver uma foto antiga, recorde-se.
Se tudo estiver nos conformes, fortifique-se.
Se tiver que sair com alguém que sempre quis nesse final de semana, apaixone-se,
mas se acaso se decepcionar, chore.
E só então entenderemos porque a vida vive-se.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

just like our last.

Eu sei que toda vez que estamos perto um do outro, nossas lembranças surgem.
Você me olha e parece que esta lendo os meus pensamentos
E sabe o que é o pior de tudo isso? É que toda vez que você a lê,
Você acerta, mas não entende que o que eu realmente preciso é de alguém
Que faça isso com mais freqüência.
Eu te olho e vejo o que você foi quando ainda éramos alguém.
Agora depois daquela noite, não pude imaginar que todo esse brilho existente
Apenas nos seus olhos partiram.
Mas eu ainda te vejo nas fotos como eu ainda te vejo dormindo e às vezes,
Eu sinto você me esquecer com o mesmo ritmo com que você respira.
Mas saiba que eu ainda vou continuar saindo com os nossos velhos amigos
Apenas pra saber como que você esta...
E espero que esteja ótimo onde você está.
Então, vamos sentar no tapete e rever nossas fotos e tentar achar alguma forma
De nos tornar um dia algo que possamos sentir saudade...
Como o nosso ultimo beijo.
Tentar te entender às vezes, é como fazer algo sem fórmula.
Quando você fala, tudo começa a rodar no compasso da sua melodia
E eu apenas sei que enquanto me lembro de você, você desejaria ter ficado
Mas você não deixa que eu veja dentro de você, porque eu sei
Que se eu olhasse me perderia novamente.
Ora, não é triste isso que estamos fazendo com nós mesmos?
Jogando toda a nossa ruína dentro de casa?
Isso é foi apenas mais um sonho em que você acordou
E esqueceu-se de me chamar.
Mas eu não quis acordar.